Blockchain e o registro inteligente do passado

Seguidamente ouvimos falar de blockchain, e sabemos que tem alguma coisa a ver com Bitcoin, mas o que isso tem a ver com fazermos registros inteligentes? Vamos descobrir…

O termo blockchain (corrente de blocos) veio de um algoritmo criado para permitir a existência da primeira moeda virtual (criptomoeda), o Bitcoin, através dos registros das transações pessoais (peer-to-peer) que ela permite. Com a evolução do entendimento de um algoritmo de livro de registros inviolável, percebemos que é possível sua aplicação ao registro de quaisquer dados que desejamos tornar públicos e permanentes. Isso abriu portas a milhares de aplicações que necessitam deixar registrados os passos que seus dados deram durante seu processamento, como a cadeia de produção de alimentos, o caminho da logística de um produto, a tramitação de documentos, e tantas outras atividades que necessitam retroceder para validar ou auditar um histórico de ações.

No artigo Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System, do pseudônimo Satoshi Nakamoto, é organizado e implementado um sistema onde temos balanços (block chain), transações (transferências) e processamento (mineração). No artigo não há o termo blockchain, que apareceu posteriormente com a popularização do uso da técnica.

A Tecnologia Blockchain usa uma rede de registros encadeados. Para colocar um novo registro, é gravado o conteúdo juntamente com sua data e hora de altíssima precisão (timestamp), devidamente validados por um sistema chamado de minerador, que verifica a origem da transação e a coloca em um bloco. Este bloco de transações é associado a outro bloco existente, formando um elo criptográfico. Cada bloco registrado é copiado para todos os demais servidores blockchain, que armazenam o novo dado, dando a característica inviolável da transação

Esta tecnologia foi inicialmente usada apenas em criptomoedas, mas hoje encontramos sua aplicação em todos os setores que utilizam sistemas computacionais. O livro de registros digital virou uma forma de autenticação dos passos realizados no mundo virtual. Esta possibilidade de navegação no passado levou a um novo universo de aplicações inteligentes, baseadas nesses registros digitais.

No próximo artigo vamos tratar dessas novas aplicações inteligentes, e também da solução do alto custo computacional associado ao processamento dos blocos no algoritmo blockchain. Até lá!

About the author: Daniel Muller

Doutor em Computação pela UFRGS, é desenvolvedor na Conexum, e professor de ensino superior e técnico. Membro das organizações ASL.Org, SBC, ACM e IEEE. Trabalha em projetos de Inteligência Artificial (como Machine Learning), Internet das Coisas (IoT), Big Data, Business Intelligence, Web Semântica e Processamento de Linguagem Natural (chatbots).